Cada vez mais, será necessário que as empresas sejam mais eficientes e produtivas, com menos pessoas, logo é urgente que elas tenham a pessoa certa no lugar certo, com estratégias eficazes para a identificação, gestão e minimização do estresse negativo. Sim, há o positivo, que seria o ideal para uma alta produtividade.

O estresse no trabalho é um assunto cada vez mais sério, amplo e complexo, com várias origens e relevantes variáveis. Aqui irei me limitar a analisar sete origens de estresse, todas provenientes do instrumento QS – Quociente de Estresse, da TTI Success Insights, fazendo um paralelo com a metodologia DISC*. O objetivo é mostrar como os fatores DISC de uma pessoa podem se relacionar com estas fontes de estresse no trabalho.

1ª ORIGEM DE ESTRESSE: EXCESSO DE DEMANDAS DO TRABALHO

Um importante aspecto a ser considerado é que o que é pedido ao colaborador esteja congruente com o seu perfil comportamental. Caso não esteja, o estresse devido às demandas de trabalho será mais intenso. Por isso, ter o perfil comportamental adequado ao cargo é o primeiro passo para minimizar o estresse em períodos mais intensos de trabalho. Também é importante analisar se há tempo suficiente para a execução das tarefas.

Além de analisarmos o grau de compatibilidade do perfil da pessoa ao do seu respectivo cargo, devemos lembrar que as pessoas com uma intensidade acima da média da população nos fatores DOMINÂNCIA e CONFORMIDADE tendem a se sobrecarregar ainda mais, por possuírem uma dificuldade maior para delegar e abrirem mão de novos projetos ou responsabilidades.

2ª ORIGEM DE ESTRESSE: FALTA DE EQUILÍBRIO ESFORÇO/RECOMPENSA

O DISC traz informações muito ricas relativas à remuneração não monetária, o que pode fazer parte das recompensas que um profissional espera de seu esforço. O conceito de estresse advindo de uma recompensa inferior ao esforço é mais amplo, envolvendo também quão significativo é o ambiente de trabalho e outros tipos de reconhecimento que vão além do que um gráfico DISC informa.

Com relação aos fatores DISC, podemos citar alguns exemplos de como cada fator gostaria de ser recompensado no seu dia a dia:

DOMINÂNCIA: Mais autonomia, liberdade, independência e desafios.

INFLUÊNCIA: Mais contatos sociais e oportunidades de interagir, verbalizar e aumentar seu networking.

ESTABILIDADE: Mais união e apoio entre companheiros de trabalho, valorização do trabalho em equipe e reconhecimento pela lealdade.

CONFORMIDADE: Reconhecimento pelo seu apreço à precisão, qualidade, ordem, assim como ambientes onde as diretrizes e normas de trabalho sejam claras e seguidas.

3ª ORIGEM DE ESTRESSE: AUSÊNCIA DE CONTROLE E AUTONOMIA

Todos, independentemente do perfil DISC, precisam de um determinado nível de controle e autonomia em suas atividades profissionais. Não poder tomar uma decisão naquilo que faz, por ausência de autonomia ou por não confiarem em seu trabalho, gera estresse. É necessário, para todos, um equilíbrio entre as responsabilidades que se têm e a autonomia relativa a elas.

Quando pensamos a respeito da teoria DISC, há um fator que demanda uma atenção maior, é a DOMINÂNCIA, quando a intensidade está acima da média da população.

Dos quatro fatores DISC, este será o que terá um incômodo maior quando não puder usufruir de liberdade de decidir e agir, naquilo que diz respeito ao que faz.

4ª ORIGEM DE ESTRESSE: EXCESSO DE MUDANÇAS ORGANIZACIONAIS

Mudanças em excesso e principalmente quando inadequadamente comunicadas e planejadas afetam as pessoas com diferentes graus de estresse. Alguns podem ver o algo novo como uma oportunidade, ao passo que outros podem ficar apreensivos, resistentes e estressados.

As pessoas com o fator ESTABILIDADE acima da média da população são as que mais podem estressar quando os processos de mudança são anunciados e conduzidos inadequadamente.

É importante lembrar que, quando são apresentadas as razões lógicas para a mudança e existem um planejamento muito bem feito e garantias de que a mudança irá até o final, as pessoas com alta ESTABILIDADE são as melhores para estarem em um time para fazer a mudança acontecer!

5ª ORIGEM DE ESTRESSE: RELAÇÃO COM O SUPERVISOR IMEDIATO

A boa relação com o supervisor imediato é crítica para um ambiente de trabalho saudável e ausência do estresse negativo. Muitas variáveis têm influência para que a relação entre líder e liderado tenha a medida certa de exigência, pressão, prazos, volume de trabalho e desafios. Uma destas variáveis é a falta de autoconhecimento do líder, e deste não conhecer o “idioma” e o estilo comportamental de seus liderados.

Orientar e ensinar a pessoa em posição de liderança a respeito do seu próprio perfil, mostrando qual o seu estilo natural de liderança e, ao mesmo tempo, mostrar qual o estilo de comunicação que cada membro de sua equipe prefere, é uma excelente maneira de minimizar o estresse nesta dimensão. O conhecimento a respeito do perfil de sua equipe também irá ajudá-lo a reconhecer os talentos de cada um e onde cada liderado demanda uma maior orientação.

Conhecer a si e aos outros, forças e limitações, com respeito e apreciação às diferenças, pode ser a maior vantagem competitiva de um líder.

6ª ORIGEM DE ESTRESSE: FALTA DE APOIO SOCIAL

O ser humano é um ser gregário, alguns com mais necessidade e outros com menos, de alguém para conversar, principalmente em momentos mais difíceis. Todos nós precisamos, com mais ou menos frequência, de apoio social positivo e adequado, que na empresa pode vir dos companheiros de trabalho. Companheiros de trabalho que são evitados, em momentos em que o apoio é fundamental, são uma das origens de estresse nessa dimensão.

A falta deste apoio e suporte pode aumentar o estresse negativo de todos, porém há dois fatores DISC que, quando presentes no perfil de uma pessoa, podem intensificar ainda mais o estresse: são a INFLUÊNCIA e a ESTABILIDADE.

Estes são os dois fatores “gente” da teoria DISC. As pessoas com um destes fatores, ou os dois com alta intensidade, demandam ambientes mais cooperativos e amistosos. Ambientes onde os problemas sejam resolvidos através do diálogo e não pelo atrito, força ou conflito.

7ª ORIGEM DE ESTRESSE: FALTA DE SEGURANÇA NO TRABALHO

A falta de previsibilidade quanto ao futuro no trabalho pode afligir muitos profissionais, porém aqueles com uma alta ESTABILIDADE, no perfil DISC, podem ser impactados ainda mais pelo estresse nesta dimensão. Por outro lado, quando pensamos nas consequências decorrentes do desemprego, como a falta de segurança financeira para si e para a família, as pessoas com alta CONFORMIDADE também podem ficar bem preocupadas com a percepção de falta de segurança no trabalho. A falta de perspectiva de crescimento profissional também pode trazer estresse, com um peso maior para as pessoas com uma DOMINÂNCIA alta, em razão de sua natureza ansiosa e competitiva. Por final, uma pessoa com alta INFLUÊNCIA pode sentir mais o impacto do estresse quando está em um ambiente onde percebe que os outros não confiam nela, o que por consequência lhe gera insegurança no trabalho.

Uma outra dimensão que possui um impacto direto na forma como uma pessoa lida com o estresse é a inteligência emocional. Esta dimensão, quando pouco desenvolvida, pode atrapalhar ainda mais a administração do estresse, principalmente por poder dificultar que cada um de nós reconheça e controle as emoções relativas a cada um dos fatores D, I, S e C, que são a raiva, ódio, ciúme e medo, respectivamente. Uma pessoa sob uma alta carga de estresse e com baixa inteligência emocional pode mostrar com mais rapidez estas emoções, impactando negativamente a si e aos outros à sua volta, com mais intensidade e dano. Alto estresse e baixa inteligência emocional é uma combinação muito perigosa.

Um dos caminhos para navegar com mais tranquilidade no mundo VUCA (volátil, incerto, complexo e ambíguo) ou em qualquer outra crise ou período de alta tensão é investir no autoconhecimento, desenvolvimento da inteligência emocional, mapear a origem do estresse, para que, assim, um plano de ação possa ser elaborado e as empresas consigam fazer cada vez mais, com menos pessoas.