ImprensaFolha do Paraná - Caderno EconomiaSegunda-feira, 13 de julho de 1998 A seleção de futebol e a sua empresa: como escalar o time para vencerBrasil, o único país a participar de todas as copas, tetra-campeão mundial. Em época de Copa do Mundo são 150 milhões de técnicos, capacitados para dizer quem está e quem não está na posição correta na seleção. É comum ouvirmos convictas opiniões de aficcionados do futebol dizendo que determinado jogador é um "craque", mas na seleção o nosso técnico o coloca em outra posição, indo contra os seus dons e aptidões. E fica patente aos olhos desta imensa torcida que temos o jogador certo na posição errada. Ele tem que se sacrificar para atender às vontades de um técnico individualista que está mais preocupado com as suas idéias e com os seus "pré-conceitos", ou seja, ou o jogador se adapta ao seu estilo, ou nada feito. Será que não seria mais coerente o técnico se adaptar ao estilo dos jogadores?É lógico. Deve existir um bom senso, mas o técnico, que é um líder, deveria explorar ao máximo as características individuais e naturais de cada jogador. Toda vez que procuramos ser algo diferente da nossa natureza, temos que fazer um esforço extra, temos que deixar de fazer as coisas naturalmente, e o sucesso vem justamente quando fazemos as coisas de maneira natural. Isto acontece quando as nossas atribuições são reflexos de nossas aptidões, pois comportamento gera resultado, e se nós queremos resultado, seja no futebol ou em nossa empresa, temos que dar condições para que nossos funcionários/seguidores façam coisas que vão ao encontro de suas respectivas personalidades, de suas aptidões, só assim podemos exigir excelência, podemos cobrar que nosso time entre em campo para jogar, mas se trocarmos os jogadores de posição não faz sentido cobrar resultados excelentes. A Arquitetura Humana está no mercado fazendo análise de adequação de perfil nas empresas há sete anos, e verificamos índices próximos a 70% de pessoas trabalhando em funções que não refletem os seus dons e aptidões, porque no ato das contratações ou promoções, sem qualquer referência concreta e científica, não se leva em consideração os dons e aptidões das pessoas, que ainda são erroneamente gerenciadas e motivadas. Faz-se um mesmo discurso para "n" tipos de pessoas diferentes, e o produto disso é desmotivação, descomprometimento e má vontade. A empresa perde o jogo. É muito comum nas empresas ver gerentes, diretores ou proprietários, tentarem fazer o peixe viver fora d'água. Agora, pergunto a vocês: Por quanto tempo este peixe vai aguentar? Quanto isto vai custar para ele? Imaginem o Ronaldinho jogando na defesa e façam novamente estas duas perguntas. Muitas empresas reclamam da crise. Ninguém compra, ninguém tem dinheiro etc. Esta semana queria comprar uma secretária eletrônica, estava com o dinheiro no bolso, ia comprar à vista, mas toda a minha vontade e determinação não bastaram. Entrei em quatro lojas no centro de Curitiba. Em todas os vendedores batiam papo, fingiam que não me viam, me atendiam mal. Numa delas um vendedor pediu para que eu fosse para os fundos da loja, e lá fiquei esperando por cinco minutos vendo os vendedores batendo papo. Foi uma eternidade. Fui me queixar a um vendedor que estava no setor de geladeiras e ele fez um sinal que não tinha nada a ver com isso, ele era de outro departamento... No final não consegui comprar o que queria, e depois de tudo o que passei eu me perguntei: Será que existe mesmo crise? Eu mesmo respondi: Não, o que existe são pessoas fazendo o que não gostam e sendo tratadas e gerenciadas de maneira inadequada. Colocar a pessoa certa no lugar certo é simples, basta querer, pois querer é poder. Os comerciantes e executivos precisam parar de se queixar e reclamar da crise, práticas que funcionaram no passado. Crise só existe para aqueles que acreditam nela ou colaboram com ela. Temos que voltar ao que é básico. Computadores são importantes, mas não devemos nos esquecer das pessoas, são elas que sustentam a nossa empresa, são elas os agentes de mudança, são elas que vendem e são elas que compram. Devemos procurar conhecer as pessoas assim como conhecemos as nossas máquinas. Você quando está defronte a sua "máquina" e ela não funciona ou não colabora, provavelmente vai atrás do manual de informações, percebe que errou, não briga com a máquina e muda o seu procedimento para com ela, e quando humilde, assume o seu erro. Mas e quando o seu subordinado ou companheiro não "funciona de acordo" ou não colabora, o que você faz? Será que você procura entender a personalidade desta outra pessoa? Será que você respeita a natureza dela? Será que você é humilde o suficiente para assumir um erro e mudar de atitude? Ou será que você é daqueles que acha que os outros estão sempre errados e você sempre certo? E acaba lembrando dos "velhos e bons tempos" com nostalgia. Qual é o seu tempo? Eu respondo que hoje é o seu tempo e tudo está mudando. Os valores mudam muito mais rápido do que as gerações e nós precisamos nos adaptar a isso. Os executivos querem melhorar sem mudar, querem mudar sem fazer mudanças. Vocês já viram alguém fazer omeletes sem quebrar os ovos? Não dá. Se você quer mudar, é preciso tirar o bumbum da cadeira, se levantar, estufar o peito e ter coragem, determinação, humildade e acima de tudo, acreditar. Dedique pelo menos 20% do seu dia às pessoas, procure entendê-las, converse, pergunte o que elas querem e precisam, trate pessoas como seres humanos. Se você fizer isso, tenha uma certeza, a sua vida vai mudar, em todos os sentidos e para melhor. Ah!, e não se esqueça do mais importante: procure primeiro se conhecer profundamente e aprenda a se amar, só conseguiremos gostar de alguém depois de gostarmos de nós mesmos. Este é o passaporte do sucesso. E todos nós merecemos o sucesso. Alexandre Ribas |