ImprensaGazeta Mercantil - Caderno ParanáSexta-feira, 21 de Agosto de 1998 Gazeta do Povo Domingo, 06 de Setembro de 1998 Indústria & Comércio Terça-feira, 25 de Agosto de 1998 A produtividade depois dos anos 90O executivo de sucesso do início deste século possuía várias características de um imigrante, um aventureiro, que deixava tudo para trás, vinha com uma mão na frente e outra atrás e construía impérios. Estas pessoas eram caracterizados por um comportamento de muita autoconfiança, ousadia e arrojo, porque eles não sabiam exatamente o que iam encontrar quando chegassem aqui. O ambiente que eles encontraram era de um país estranho, de língua estranha e sem nenhum conhecido. Por isso, eles eram introvertidos, viviam bem consigo mesmo sem haver uma grande necessidade de sociabilização. Outras características muito fortes eram o autoritarismo e a orientação para o trabalho. Eram os patriarcas e provedores de tudo o que a família precisava, geralmente uma família numerosa. Estes eram os executivos da época do "hardware", que predominaram até os anos 70, onde apenas as máquinas e as mãos dos funcionários eram importantes.Dos anos 70 aos 90 houve uma mudança no perfil gerencial, as comunicações começaram a aumentar e a se tornarem importantes. Não só as mãos eram necessárias, mas também as idéias e sugestões dos funcionários. A cabeça começou a ser valorizada. Foi uma época de disseminação dos trabalhos em equipe, sistemas de sugestões e dos CCQ (Círculos de Controle de Qualidade). Esta foi a época do "software", onde as máquinas deixaram de ser essenciais e as pessoas começaram a ser destacar. Mas ainda não havia sido o suficiente. As pessoas são muito mais do que idéias. Elas carregam consigo algo de muito valioso e insubstituível: os sentimentos. Vivemos hoje, então, a era da inteligência emocional. Temos que desenvolver o nosso relacionamento conosco e com os outros, e além do bem que isto trás, nós nos tornamos mais competitivos. Existe uma palavra muito simples que hoje está moda, mas que algumas pessoas tem muita dificuldade para pronunciá-la e cultivá-la: felicidade. Porque a felicidade no trabalho está se tornando tão importante? O raciocínio é simples: felicidade gera produtividade, que gera lucros. Hoje, devemos nos preocupar com as mãos, com as sugestões e com os sentimentos dos funcionários, estamos na época do "peopleware". Os líderes que estão ganhando destaque hoje são as pessoas com mais facilidade de trabalhar em equipe, mais sociais, comunicativos e empáticos. Neste momento você sabe o que os seus funcionários estão sentindo? Você já perguntou alguma vez? E os seus familiares? Por falar em familiares, procure saber qual a situação do funcionário fora da empresa. A vida e a produtividade na empresa está intimamente ligada com a vida pessoal e vice-versa. A comunicação é o que vem fazendo a diferença através dos tempos, estimule-a na sua empresa, de condições para que ela floresça e aumente a produtividade ! Alexandre Ribas |