ImprensaGazeta do PovoQuarta-feira, 28 de outubro de 1998 O paradoxo da paciênciaJá faz quatro anos que venho acompanhando a elaboração de perfis comportamentais de cargos de comando em diversas áreas empresariais de diversos setores. Pude observar que existe um fator comportamental que atinge 100% dos casos: as empresas desejam pessoas impacientes, tensas e com um elevado senso de urgência; aparentemente a receita para que a empresa se torne mais ágil e competitiva.Na verdade esta é realmente a receita do sucesso para épocas de grande competitividade e mudanças mas, o problema está na precipitação e na tensão em excesso que estas pessoas podem vir a ter. Estruturalmente as empresas estão querendo pessoas impacientes porém, a grande diferença está no autocontrole destas pessoas. O que acontece é que pessoas impacientes geralmente querem as coisas para o mês passado, quando muitas vezes seria mais interessante deixá-las para o mês seguinte. Parece contraditório, mas o ponto máximo é encontrar pessoas impacientes com a capacidade de terem paciência, sempre que necessário. Vejamos o que Thomas Edison, uma pessoa de indiscutível sucesso e inventor da primeira lâmpada elétrica em escala comercial, tem a dizer sobre paciência: "Muitos dos fracassos da vida ocorrem com pessoas que não perceberam quão próximas estavam do sucesso quando desistiram". Thomas Edison preencheu mais de 40 mil páginas sobre iluminação para chegar à lâmpada, sozinho. Aja paciência! A sua primeira patente, de um total de 1.093, foi obtida com apenas 21 anos. É óbvio que um dos pré-requisitos comportamentais para ser um grande cientista é a paciência, mas vamos pensar (nós impacientes) quantas vezes quisemos desistir de nossos objetivos por não termos a paciência de esperar, quando na verdade se pudéssemos ver o futuro, constataríamos que já tínhamos conseguido o que queríamos - era só esperar um pouco. Por uma pura falta de paciência colocamos tudo a perder. Nós, indivíduos impacientes que desejamos ter sucesso na vida e temos muita pressa para que isto aconteça, devemos prestar atenção às palavras do escritor inglês John Ruskin: "No todo, é a paciência que faz a diferença final entre os que têm sucesso e os que falham em todas as coisas. Todo grande homem tem a paciência num grau infinito, e entre os menores, os de pouca paciência, só conquistam uma grande impaciência". Se você quer uma empresa competitiva, inovadora, que se adapte às mudanças do mercado, você precisa de pessoas impacientes, mas estas pessoas devem ser diferentes, elas devem possuir uma impaciência madura, superior. Para Santo Agostinho, a paciência é a companheira da sabedoria. A ansiedade para algumas pessoas é terrível, podendo causar inclusive problemas de somatização, mas se bem usada e administrada é um fator de extrema diferenciação competitiva e desejada para cargos de comando por 100% de nossos clientes. Aqui fica um consolo do famoso filósofo francês Jean-Jacques Rousseau para aqueles que almejam o sucesso e a felicidade e não tem muita paciência para esperá-lo: "A paciência é amarga, mas os frutos são doces". Alexandre Ribas |